Investigação revela mensagens em que tenente-coronel acusado de matar esposa exigia submissão e se autodenominava “macho alfa”

  • 19/03/2026
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Investigação revela mensagens em que tenente-coronel acusado de matar esposa exigia submissão e se autodenominava “macho alfa”

Mensagens revelam comportamento controlador de tenente-coronel acusado de feminicídio contra esposa em SP

O tenente-coronel Geraldo Neto, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, enviou diversas mensagens com conteúdo misógino e controlador nos dias que antecederam o crime. O caso ocorreu na capital paulista e é investigado como feminicídio e fraude processual.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, as conversas extraídas do celular do oficial mostram um padrão de comportamento marcado por ciúmes, possessividade e imposição de regras. Em uma das mensagens, ele afirma: “Enquanto você estiver casada comigo e vivendo na minha casa, as coisas serão do meu jeito”. Em outro trecho, declarou: “Lugar de mulher é em casa cuidando do marido”.

Discurso de controle e submissão

Dois dias antes do crime, Geraldo Neto chegou a se autodenominar “macho alfa” e exigiu que a esposa fosse uma “fêmea beta obediente e submissa”. Segundo os investigadores, ele também proibia Gisele de cumprimentar outros homens e criticava sua forma de se vestir.

As mensagens indicam ainda cobranças relacionadas à vida conjugal. O oficial afirmava ser o provedor da casa e, por isso, exigia da vítima “carinho, atenção, amor e sexo”. Em resposta a críticas da esposa sobre mudanças no comportamento dele, chegou a se descrever como “rei” e listar uma série de qualidades pessoais.

Para a acusação, o conteúdo reforça um perfil autoritário e ajuda a contextualizar a motivação do crime, que teria sido cometido por razões ligadas à condição de gênero, caracterizando o feminicídio.

Investigação e prisão

Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e provas técnicas indicam que o oficial atirou contra a cabeça da vítima dentro do apartamento do casal, no bairro do Brás, em São Paulo. A hipótese de suicídio foi descartada.

Ainda de acordo com a denúncia, após o crime, o tenente-coronel teria alterado a cena para simular suicídio, colocando a arma na mão da vítima e tomando banho para eliminar vestígios, o que embasa a acusação de fraude processual.

O oficial foi preso preventivamente e está detido no Presídio Militar Romão Gomes. A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, tornando-o réu no processo.

Julgamento e pena

Como o feminicídio é considerado um crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri. Nessa modalidade, sete jurados decidem pela condenação ou absolvição do réu.

O Ministério Público também solicitou a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima em caso de condenação.

Defesa se manifesta

A defesa de Geraldo Neto nega as acusações e questiona a competência da Justiça Militar no caso. Em nota, os advogados afirmaram que o oficial colaborou com as investigações e que medidas judiciais já foram adotadas para contestar decisões relacionadas à prisão.

O caso ocorre em meio a mudanças recentes na legislação. Desde 2024, o feminicídio passou a ser considerado um crime autônomo, com penas que podem variar de 20 a 40 anos de prisão, reforçando o rigor no combate à violência contra a mulher no Brasil.


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