Bienal de Arquitetura em São Paulo, reúne projetos inovadores de todos os estados e mostra tecnologia como casas impressas em 3D

  • 25/03/2026
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Bienal de Arquitetura em São Paulo, reúne projetos inovadores de todos os estados e mostra tecnologia como casas impressas em 3D

Casa feita com robô e impressão 3D é destaque na Bienal de Arquitetura em São Paulo

Protótipo inovador usa braço robótico para “imprimir” pilares de concreto e mostra novas formas de construir com menos material e mais eficiência

Uma casa com pilares “impressos” por um robô é uma das principais atrações da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), que começou nesta quarta-feira (25) no Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo.

O protótipo chama atenção por utilizar impressão 3D de concreto em grande escala, tecnologia ainda pouco utilizada no Brasil. A estrutura foi desenvolvida pelo escritório Superlimão, em parceria com a startup Portal 3D e o laboratório Digital Construction Lab da Universidade de São Paulo, ligado à Universidade de São Paulo (USP).

Os pilares da casa foram inspirados no formato do galho da folha da bananeira e produzidos por um braço robótico semelhante aos utilizados na indústria automobilística.


Como funciona a casa “impressa”

O robô funciona como uma impressora 3D gigante. Em vez de tinta ou plástico, o equipamento deposita microconcreto de alta resistência, camada por camada, até formar a estrutura da construção.

Cada pilar leva cerca de quatro horas para ser produzido. O processo é feito em etapas, com pausas para permitir o resfriamento do material antes da aplicação das próximas camadas.

Segundo Mateus Fernandes, fundador da Portal 3D, o projeto utiliza tecnologias que já existem na indústria, mas adaptadas para a construção civil.

“Esse robô já é utilizado na indústria automobilística. Nós o adaptamos para depositar concreto camada por camada”, explicou.


Tecnologia ajuda a enfrentar falta de mão de obra

Além da precisão, a tecnologia pode ajudar a resolver um dos maiores desafios da construção civil atualmente: a escassez de trabalhadores especializados.

Com o sistema, apenas duas pessoas conseguem operar o equipamento, sem esforço físico intenso.

“A dor do construtor hoje é a mão de obra. Está cada vez mais difícil encontrar profissionais para trabalhos pesados. O robô vem para ajudar nisso”, afirmou Fernandes.


Arquitetura inspirada na natureza

O projeto também utiliza conceitos de biomimética, área que busca inspiração nas soluções criadas pela natureza.

Os pilares possuem cavidades internas, semelhantes à estrutura dos ossos das aves, que são leves e resistentes. Esse formato melhora o isolamento térmico e acústico da casa.

Ao usar menos concreto, a construção se torna mais sustentável e econômica.

“Criamos uma estrutura extremamente rígida e leve ao mesmo tempo”, explicou o arquiteto Lula Gouveia, do Superlimão.


Estrutura elevada lembra palafitas

Outro diferencial é que a casa fica elevada do solo, inspirada nas palafitas comuns em regiões do Norte do Brasil.

A estrutura utiliza madeira de reúso, mantas de lã de PET reciclado e tintas ecológicas feitas à base de terra. Esses materiais ajudam a regular a temperatura e a umidade do ambiente.

Segundo os arquitetos, as paredes funcionam como um “pulmão natural”, absorvendo umidade em dias chuvosos e liberando-a quando o clima está seco.


Montagem como peças de Lego

Depois de produzidos, os pilares foram transportados até o Parque Ibirapuera, onde a casa foi montada para a exposição.

O processo lembra um jogo de encaixe.

“Levamos as peças prontas e montamos como se fosse um Lego”, explicou Lula Gouveia.

Esse modelo segue o conceito de construção off-site, no qual as peças são fabricadas fora do canteiro de obras e apenas montadas no local final.


Casa tem formato hexagonal

O formato da casa também foge do padrão tradicional. Em vez de um desenho quadrado, o projeto utiliza uma geometria hexagonal, que melhora a distribuição dos espaços e cria um ambiente mais acolhedor.

A inspiração lembra construções tradicionais brasileiras, como ocas indígenas e coretos de interior, reinterpretadas com tecnologia moderna.

“O hexágono é o quadrado redondo”, resumiu Gouveia.

A estrutura ficará exposta por cerca de um mês no Parque Ibirapuera. Depois disso, será desmontada e reconstruída em outro local.


Bienal reúne projetos de todo o Brasil

A casa impressa em 3D é apenas um dos destaques da Bienal de Arquitetura Brasileira, que reúne projetos de todos os estados brasileiros.

Segundo o diretor-executivo do evento, Rafael Tristão, a proposta é mostrar soluções reais e aplicáveis no dia a dia.

“A Bienal fala da arquitetura do cotidiano, de soluções viáveis, práticas e bonitas”, afirmou.

Os projetos foram selecionados por meio de um concurso nacional e representam diferentes regiões e biomas do país — da Amazônia ao Pampa, passando pelo Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal.

Clique aqui para saber mais sobre o assunto:

https://www.bienaldearquiteturabrasileira.com/


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