Amor pelas sombras e 'receio' das águas: quem é Jack, a 1ª onça-pintada a passar por transfusão de sangue no país
04/04/2026
(Foto: Reprodução) Conheça Jack, onça-pintada que recebeu a primeira transfusão de sangue da espécie no país
Jack, uma onça-pintada de 18 anos com doença renal crônica, fez história no dia 19 de março ao se tornar a primeira de sua espécie a passar por uma transfusão de sangue no Brasil. O felino, que vive no Zoológico de Sorocaba (SP), precisou do procedimento inédito para poder iniciar seu tratamento.
Nascido em 2008 no Pará, o macho idoso chegou ao Zoo de Sorocaba em abril de 2023. No local, passou a fazer companhia para Vitória, uma fêmea com hidrocefalia que vive no zoológico há 14 anos. Segundo a prefeitura, após um período de adaptação, os dois "convivem muito bem, interagindo positivamente e sem brigas".
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Jack é um animal tranquilo, que passa grande parte do dia descansando na sombra e, ao contrário de sua companheira, não gosta de entrar na água. A equipe do zoo informa que ele sempre se alimentou bem, com preferência por carne bovina.
Onça-pintada Jack, de 18 anos, vive em Sorocaba (SP) mas está em tratamento no Cempas de Botucatu (SP).
Gabriel Correa de Camargo
Por ser de uma espécie ameaçada de extinção, a onça-pintada faz parte de um programa nacional de conservação, que define o destino dos animais entre as instituições participantes. Dessa forma, o tempo que Jack permanecerá no Zoo de Sorocaba será definido conforme a iniciativa.
O Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros foi fundado em 1968 e recebe verba da prefeitura para manter as espécies preservadas. O objetivo é promover a empatia entre seres humanos e animais, além da reprodução para reintroduzir essas espécies na natureza.
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A entrada é gratuita. O Zoo está localizado na Rua Theodoro Kaisel, número 883, na Vila Hortência, e é aberto de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.
🩸Transfusão e tratamento
Devido à doença renal crônica, Jack estava anêmico e não tinha condições de iniciar a hemodiálise, tratamento essencial para compensar a falha de seus rins. A solução encontrada pela equipe veterinária foi recorrer ao sangue de uma onça-pintada saudável.
Onça-pintada Jack, de Sorocaba (SP), sedado para a realização da primeira transfusão de sangue da espécie no Brasil
Zoo São Paulo/Divulgação
No dia 13 de março, Jack foi levado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), em Botucatu (SP). Lá, recebeu o sangue de Ruana, uma onça fêmea do zoológico da capital paulista. O procedimento durou duas horas e foi considerado um sucesso. O procedimento foi mostrado no Fantástico (veja reportagem abaixo).
Primeira transfusão de sangue entre onças-pintadas do país é feita em SP
O médico veterinário Gabriel Correa de Camargo, que coordenou o procedimento, explicou ao g1 que Jack permanecerá temporariamente em Botucatu para tratamento.
“O Jack vai ficar aqui até se estabilizar. A gente ainda está avaliando se ele vai precisar de hemodiálise ou não. Ele está se recuperando aos poucos. Estamos fazendo um tratamento por aqui, sempre mantendo contato com o Zoo de Sorocaba para a tomada de decisões”, acrescenta.
O comportamento do animal tem ajudado no processo. “Ele é relativamente dócil. Quando a gente chega perto, ele vem cheirar, interagir. É um animal acostumado à presença humana, o que é muito bom, porque facilita o manejo”, acrescenta o veterinário.
Ruana, onça-pintada saudável do Zoológico de São Paulo
Zoo São Paulo/Divulgação
O tratamento inclui soro intravenoso para hidratação e medicamentos para controlar possíveis enjoos, sendo adaptado diariamente conforme a avaliação da equipe. A expectativa é que, com os cuidados, Jack tenha mais alguns meses ou anos de vida com bem-estar, superando a expectativa de vida de 20 anos para a espécie sob cuidados humanos.
"O que a gente consegue agora é garantir bem-estar e saúde para ele, dentro do que é possível e do que o organismo dele consegue responder", finaliza Camargo.
🐆 Importância da preservação da espécie
Onça-Pintada 'Vitória'' em seu recinto no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP)
Fernanda Cordeiro/g1
A onça-pintada é uma espécie bastante temida e que está espalhada por todo o país. Diante disso, a Mata Ciliar de Jundiaí (SP) é um dos exemplos de ONGs que trabalham em prol da preservação não apenas dessa espécie, mas também de outros animais da fauna brasileira.
Ao g1, a médica veterinária Cristina Harumi Adania participa da Associação Mata Ciliar de Jundiaí e explicou sobre a importância de preservação dessa espécie.
"A onça-pintada tem uma importância ecológica muito grande, pois ela é o topo da cadeia alimentar. A onça é um exímio caçador, ela é treinada para caçar presas vivas. Então, se você retira a onça-pintada do ambiente natural, você acaba por desequilibrar aquele ambiente", diz.
Cristina pontua que a espécie serve para manter o equilíbrio ecológico na cadeia alimentar. Por isso, se não existe a onça-pintada no ambiente, a população de um determinado animal que seria a possível caça dela tende a aumentar de forma descontrolada.
"Por ser um felino topo da cadeia alimentar, a onça tem um papel primordial na função ecológica. Tem alguns autores, inclusive, que dizem que se existe a onça-pintada num determinado ambiente, isso significa que aquele ambiente tem qualidade de vida", diz.
Gabriel Correa de Camargo coordenou transfusão de sangue da onça-pintada que vive no Zoológico de Sorocaba (SP)
Arquivo Pessoal
*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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