Curta produzido em Assis recebe 5 prêmios no Festival de Cinema de Brasília: 'Energização para tudo que construímos', celebra diretor

  • 29/09/2026
(Foto: Reprodução)
Curta produzido em Assis recebe 5 prêmios no Festival de Cinema de Brasília O cenário é bem conhecido dos moradores do centro-oeste paulista – um extenso canavial que margeia a rodovia. É nesse universo da plantação de cana-de-açúcar que se desenrola a jornada de dois jovens da periferia a bordo de uma caminhonete gigante no curta-metragem “Cana”, produzido em Assis (SP). O curta, dirigido e escrito por Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone, encerrou sua participação no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como o curta mais premiado da edição. Foram cinco prêmios, incluindo o de Melhor Curta-metragem pelo Júri Oficial. (Confira o trailer do filme no vídeo acima). 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Diretores do curta, gravado em Assis, receberam as premiações no Festival de Cinema de Brasília Michelle Moreira e Bernardo Fernandes A obra ainda recebeu o Prêmio da Crítica Abraccine de Melhor Curta-Metragem, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e o Prêmio Canal Brasil de Curtas. O ator Gerin Black recebeu o Candango de Melhor Ator, enquanto Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone foram premiados pela Melhor Trilha Sonora. Em entrevista ao g1, os diretores falaram sobre como foi toda produção do curta, que contou com profissionais formados no interior de São Paulo e do Paraná, e foi filmado na região de Assis (SP). Foram três anos de dedicação ao projeto, como explica Guilherme. “Cana foi escrito em 2023, produzido entre 2024 e 2025, e finalizado em 2026. Então, como todo mundo que passa mais de três anos dedicando-se a um trabalho, esperávamos que houvesse algum reconhecimento. Só não poderíamos prever que a repercussão fosse tão bacana”, conta. LEIA TAMBÉM Filme gravado na periferia de Assis é selecionado para Festival Internacional de Curtas de SP Mais de 50 alunos da rede pública de Bauru e Marília são selecionados para intercâmbio Com R$ 308 e um celular, adolescente dirige longa-metragem e estreia em cinema de Bauru O diretor destacou que a premiação foi o reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido nesses três anos e um incentivo à arte no interior de São Paulo. “Receber cinco prêmios no festival de cinema mais tradicional do país representa uma energização para aquilo tudo que temos construído em Assis, no Oeste Paulista”, completa. Monocultura e a periferia Filme acompanha a jornada de dois jovens da periferia em uma viagem pelas estradas da região de Assis Oeste Cinema/ Divulgação “Cana” acompanha a jornada de dois jovens da periferia, interpretados pelos atores Gerin Black e Silas Pinheiro. Nessa viagem, os diálogos apresentam questões como medo, desejos e ressentimentos que fazem parte da vivência dos personagens que também vão tentando antecipar o que podem encontrar pelo caminho. Daniel explica a escolha do cenário e também da temática a partir da perspectiva de personagens quer vieram do ambiente periférico. “O Cana surge de histórias reais que eu vivenciei na região de Assis. Meus pais eram boias-frias, trabalharam no corte de cana durante a minha infância. Depois eu me mudei para a periferia de Assis, e a palavra Cana foi ganhando outros significados. É a forma como os jovens se referem à polícia, e à prisão, duas coisas que produzem muita tensão no jovem periférico que cresce afetado pela violência policial, e pela presença ostensiva do crime.” Na narrativa, a escolha pelos canaviais tão presentes no cenário das estradas do centro-oeste e oeste paulista, é mais que apenas a fotografia do filme. É um componente que simboliza, por ser uma monocultura, a falta de alternativas para esses jovens. Cenários do interior de São Paulo fazem parte da narrativa do curta produzido em Assis Oeste Cinema/ Divulgação “Os canaviais significam muito para nós. Não só os canaviais, mas a monocultura em toda sua extensão. Onde há monocultura, há pouca diversidade. Não há lugar ou espaço para a realização das diversas aspirações das pessoas, especialmente da juventude periférica." "A monocultura domina a economia do nosso território, que acaba oferecendo poucas opções de vocação e trabalho, e também o nosso imaginário sobre o que poderia ser diferente. O filme faz um exercício de imaginar uma reação da juventude a essas limitações”, completa o diretor. Do interior de SP para todo o Brasil Curta "Cana" foi produzido na região de Assis Oeste Cinema/ Divulgação Ao se tornar o curta mais premiado dessa edição de um dos principais festivais de cinema do Brasil, “Cana” possibilitou aos diretores a oportunidade de mostrar a relevância da cultura do interior paulista. Para Guilherme, além do reconhecimento, é uma chance de expansão da produção audiovisual da região e de mudança dos paradigmas dessa cultura. “A gente passou muito tempo, enquanto juventude, preso a essa melancolia de que o interior é limitado. O prêmio significa que podemos subverter essa suposta limitação, que vem de fora pra dentro, e imaginar coisas muito próprias do nosso ponto de vista. Assim, vamos produzir relevância, e um interior emancipado desse olhar reducionista que vem da elite cultural sudestina”, afirma. Produção audiovisual no oeste paulista Gravações do curta-metragem "Cana", produzido em Assis Oeste Cinema / Divulgação O curta é uma produção da Oeste Cinema, com coprodução da Kinopus de Londrina (PR), e contou com o apoio do Polo Audiovisual do Velho Oeste, que é formado quase inteiramente por profissionais da região de Assis e dedicado ao desenvolvimento da produção audiovisual local. A iniciativa busca incentivar essa produção desde cedo, em escolas, e também em várias comunidades nas quais o cinema dificilmente chega. “Por meio de ações formativas em escolas, aldeias indígenas, assentamentos, comunidades periféricas, o Polo Audiovisual do Velho Oeste já atendeu mais de 700 alunos em cursos de cinema nos últimos quatro anos. O projeto realiza um festival de cinema, o ‘Curta Velho Oeste’, e mostras itinerantes em cidades do Vale do Paranapanema. Também apoia a produção de filmes em nossa região”, explica Guilherme. “Então a produção do Cana se vale desse terreno fértil cultivado pelo projeto, incluindo aí os profissionais que se formaram”, completa. O diretor destacou ainda a importância dos incentivos públicos, que foram essenciais para que a produção fosse realizada. Diretores contaram como foi a produção do filme em Assis Oeste Cinema/ Divulgação “Um filme custa caro. São cerca de 60 pessoas trabalhando, com remuneração justa. Cana tornou-se viável quando ganhamos um edital ProAC, do Governo do Estado de São Paulo, outro da Lei Paulo Gustavo do Município de Assis, e recebemos uma proposta de coprodução da produtora francesa Filmo 2, que custeou a pós-produção do filme. É a política pública e seus mecanismos de descentralização dos recursos que está viabilizando tudo o que temos feito em Assis.” Antes da produção de “Cana”, os diretores já haviam trabalhado juntos em “Ainda Restarão Robôs nas Ruas do Interior Profundo”, curta selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e vencedor do Prêmio Canal Brasil de Curtas. Guilherme destacou ainda a evolução entre os dois trabalhos, que se ambientam no interior de São Paulo. “O Ainda Restarão Robôs Nas Ruas do Interior Profundo foi feito num impulso, da forma como só poderia ser, sem recursos e com muita vontade. No Cana, conseguimos trabalhar de forma mais calculada e articulada para chegar ao resultado que imaginamos”, conclui. Dupla já tinha trabalhado junta no filme "Ainda Restarão Robôs nas Ruas do Interior Profundo" Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. 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FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/09/29/curta-produzido-em-assis-recebe-5-premios-no-festival-de-cinema-de-brasilia.ghtml


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